Vacina da dengue do Instituto Butantan: desenvolvimento, desafios e vacinação em adolescentes
Publicado por Bianca Andrade em 21/01/2026. • Tempo de leitura: ~4 minutos.
Vacina da dengue do Instituto Butantan começou a ser aplicada em adolescentes após 15 anos de desenvolvimento. O texto aborda desafios técnicos, impacto da infraestrutura, influência da covid-19 e estratégias de vacinação no SUS e rede privada.
Neste artigo
- Desenvolvimento e aprovação da vacina Butantan-DV
- Desafios técnicos no desenvolvimento
- Impacto da infraestrutura e ampliação produtiva
- Influência da pandemia de covid-19 no desenvolvimento
- Vacinação de adolescentes nas cidades-piloto
- Vacina da dengue no SUS e na rede privada
- Considerações finais
A vacina da dengue produzida pelo Instituto Butantan representa um avanço importante no combate a uma das doenças mais comuns e preocupantes no Brasil. Após mais de 15 anos de desenvolvimento, o imunizante começou a ser aplicado em adolescentes em cidades-piloto, marcando uma conquista significativa para a saúde pública nacional. Este texto detalha o processo de criação da vacina, os principais desafios enfrentados, o impacto da pandemia de covid-19 no desenvolvimento e como está sendo feita a vacinação atualmente.
Desenvolvimento e aprovação da vacina Butantan-DV
O desenvolvimento da vacina Butantan-DV teve inÃcio em 2009, e somente no final de 2023 o imunizante foi aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Este longo perÃodo de mais de 15 anos foi necessário para garantir a eficácia e a segurança do produto. A vacina passou por diversas fases de estudos, incluindo estudos iniciais, exploratórios e confirmatórios, com acompanhamento dos participantes durante cinco anos para monitorar possÃveis efeitos adversos e a efetividade da imunização.
Desafios técnicos no desenvolvimento
Segundo Gustavo Mendes, diretor de Assuntos Regulatórios, Controle de Qualidade e Estudos ClÃnicos da Fundação Butantan, vários fatores contribuÃram para a demora na chegada da vacina ao público. Um dos principais desafios foi a complexidade das etapas de desenvolvimento, que exigiram rigorosos testes para assegurar que o imunizante fosse seguro e eficaz. Além disso, a capacidade produtiva inicial era limitada, o que atrasou a possibilidade de realizar o pedido de registro junto à Anvisa em um momento anterior.
Impacto da infraestrutura e ampliação produtiva
Outro fator que retardou a aprovação foi a necessidade da construção de uma nova fábrica para a produção em larga escala da vacina. Essa ampliação da infraestrutura exigiu a geração de novos dados para o dossiê submetido à Anvisa, o que prolongou o processo regulatório. A ampliação da capacidade produtiva é fundamental para garantir que a vacina esteja disponÃvel para a população de forma ampla e segura.
Influência da pandemia de covid-19 no desenvolvimento
A pandemia de covid-19 teve um impacto direto no desenvolvimento da vacina da dengue. Durante esse perÃodo, grande parte da equipe do Instituto Butantan foi direcionada para o desenvolvimento do imunizante contra o coronavÃrus, prioridade global devido ao alto número de casos e à urgência da situação. Essa realocação de recursos e esforços acabou atrasando o avanço da pesquisa da vacina contra a dengue. O rápido desenvolvimento da vacina da covid-19 foi possÃvel graças a um elevado investimento em tecnologia, pesquisa e ao número expressivo de casos que demandavam uma resposta imediata.
Vacinação de adolescentes nas cidades-piloto
Atualmente, a vacinação da nova vacina da dengue está sendo aplicada em adolescentes a partir de 15 anos em cidades-piloto como Maranguape (CE), Nova Lima (MG) e Botucatu (SP). Essa estratégia visa monitorar de perto os resultados da imunização, avaliando a eficácia e possÃveis efeitos adversos raros. O teste deve durar cerca de um ano, ao final do qual o Ministério da Saúde decidirá sobre a ampliação da vacinação para outras regiões do paÃs, considerando a redução dos casos de dengue e a segurança do imunizante.
Vacina da dengue no SUS e na rede privada
No Sistema Único de Saúde (SUS), a vacinação contra a dengue segue duas estratégias distintas. Para crianças e adolescentes de 10 a 14 anos, continua sendo utilizada a vacina japonesa Qdenga, que requer duas doses para garantir a imunização. Para adolescentes a partir de 15 anos e adultos até 59 anos, a nova vacina do Instituto Butantan está sendo testada nas cidades-piloto em dose única. Já na rede privada, a vacina da dengue pode ser aplicada em pessoas com idade entre 4 e 60 anos, conforme a indicação da Anvisa.
Considerações finais
A chegada da vacina da dengue do Instituto Butantan ao público representa um marco importante na luta contra essa doença que afeta milhares de brasileiros todos os anos. Apesar dos desafios técnicos, da infraestrutura necessária e da pandemia de covid-19 que atrasaram o processo, a aprovação e o inÃcio da aplicação em adolescentes mostram um avanço significativo para a saúde pública nacional. A estratégia de vacinação em cidades-piloto permitirá um monitoramento cuidadoso, garantindo segurança e eficácia antes da expansão do uso para toda a população. Este passo é essencial para reduzir os casos de dengue, proteger a saúde dos jovens e contribuir para o controle dessa doença no Brasil.
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