Riscos dos brinquedos com inteligência artificial para crianças

Publicado por Bianca Andrade em 22/01/2026. • Tempo de leitura: ~4 minutos.

Estudo da Common Sense Media alerta para riscos de brinquedos com inteligência artificial no desenvolvimento, privacidade e segurança das crianças. Recomenda-se cautela para menores de 5 anos e supervisão para crianças de 6 a 12 anos.

Com o avanço da inteligência artificial (IA), brinquedos inteligentes estão cada vez mais presentes no cotidiano das crianças brasileiras. No entanto, um estudo recente da organização sem fins lucrativos Common Sense Media alerta para os perigos que esses dispositivos podem representar para o desenvolvimento infantil, a privacidade e a segurança dos pequenos. Este texto explora os principais riscos associados aos brinquedos com IA e oferece orientações úteis para mães e gestantes que desejam garantir um ambiente seguro e saudável para seus filhos.

O que são brinquedos com inteligência artificial?

Brinquedos com IA incluem bichos de pelúcia, robôs, bonecas e outros dispositivos que se conectam à internet e usam tecnologias avançadas para interagir com as crianças por meio de comandos de voz. Embora pareçam inofensivos, esses brinquedos estão constantemente escutando e coletando dados do ambiente, incluindo gravações de voz e informações comportamentais. Essa coleta de dados levanta preocupações importantes sobre a privacidade infantil, já que as crianças não podem consentir plenamente com essa prática, e os pais muitas vezes desconhecem a extensão dessas informações capturadas.

Os riscos do conteúdo inadequado

Segundo o estudo da Common Sense Media, cerca de 27% das respostas fornecidas por brinquedos com IA continham conteúdos inapropriados para crianças, incluindo temas delicados como automutilação, uso de drogas e comportamentos perigosos. Além disso, foi identificado que alguns dispositivos conseguem burlar filtros configurados pelos pais para impedir menções a esses assuntos. Essa exposição pode gerar confusão, medo e até mesmo influenciar negativamente o comportamento dos pequenos, causando preocupação em 74% dos pais entrevistados.

Prejuízos ao desenvolvimento infantil

Os brinquedos com IA são programados para criar vínculos emocionais, simulando companheirismo e amizade. Apesar de essa característica parecer positiva, ela pode ser prejudicial, especialmente para crianças entre 6 e 12 anos, que estão em fases cruciais de desenvolvimento social e emocional. A pesquisa revelou que 56% dos pais não desejam que esses brinquedos substituam relações humanas, enquanto 80% temem que o uso excessivo prejudique o convívio com amigos e familiares. Estabelecer limites é fundamental para evitar apego excessivo e garantir que o tempo de brincadeira seja equilibrado e saudável.

Riscos à privacidade e segurança

Além da exposição a conteúdos inadequados, os brinquedos com IA coletam dados pessoais em ambientes privados, o que pode ser explorado por terceiros caso haja falhas de segurança. A Common Sense Media destaca que 83% dos pais estão preocupados com a proteção dessas informações. Os dispositivos podem ser vulneráveis a ataques cibernéticos, colocando em risco a segurança das crianças e de suas famílias.

Problemas técnicos e confiabilidade

Ainda que comercializados como "inteligentes", muitos brinquedos com IA apresentam falhas técnicas, como respostas incorretas, ativações indevidas e reconhecimento de voz impreciso. Esses problemas podem frustrar as crianças e comprometer o aprendizado que os brinquedos deveriam proporcionar, tornando-os menos eficazes do que os brinquedos tradicionais.

Orientações para os pais e responsáveis

Diante dos desafios apresentados, especialistas recomendam que brinquedos com IA sejam evitados para crianças menores de 5 anos, priorizando sempre os brinquedos tradicionais que estimulam a criatividade e a interação social. Para crianças entre 6 e 12 anos, é vital avaliar cuidadosamente se o brinquedo com IA oferece benefícios reais para o desenvolvimento intelectual e emocional.

Se optar por esses brinquedos, os pais devem estabelecer limites claros, monitorar configurações de privacidade, desativar microfones quando não estiverem em uso e supervisionar o conteúdo acessado. É importante observar sinais de apego excessivo e garantir que as crianças tenham tempo para brincar livremente e interagir com amigos e familiares.

Considerações finais

Embora a tecnologia com inteligência artificial traga inovações interessantes para o mundo dos brinquedos, é fundamental que as mães e gestantes brasileiras estejam atentas aos riscos que esses dispositivos podem representar para o desenvolvimento, a privacidade e a segurança das crianças. Optar por brinquedos tradicionais e promover relacionamentos reais são as melhores formas de garantir um ambiente saudável e seguro para o crescimento dos pequenos. A informação e a supervisão consciente são as principais armas para proteger as crianças em um mundo cada vez mais conectado.

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